Meu nome é Juliana e sou mãe de uma linda bebê de quase 3 meses...tive um parto domiciliar planejado, ou seja, um parto no qual você contrata profissionais (no caso enfermeiras obstétricas que no relato chamo de parteiras) para realizar o atendimento no parto. Também contratei duas doulas que foram de extrema importância para o andamento do parto pelo apoio emocional e físico. O apoio do meu companheiro André, hoje pai maravilhoso da Sofia também foi imprescindível. Agradeço demais por essa experiência, e por todos que me ajudaram e acreditaram na minha capacidade de parir. Mulheres sabem parir e bebês sabem nascer! Abaixo segue o meu relato de parto meio resumido:
Quase um mês após essa experiência única na minha vida a
neném dorme ao lado e consigo relatar o que senti e o que vivi naqueles dias.
Sim, naqueles dias, pois o trabalho de parto durou 36h. Tive muitos pródromos e
no último dia de pródromos nem dormir eu conseguia mais, pois sentia uma
dorzinha nas contrações no baixo ventre (que me acompanhou e ficou bem mais
intensa no trabalho de parto), eu estava com 41 semanas e já “tensa” pois o que
fazer se chegar as 42 semanas? Uma das minhas doulas veio em casa a tarde esse
dia, fizemos uma caminhada e ela me fez uma massagem e parece que foi o que
precisava pro trabalho de parto engrenar, pois a noite já estava com 3
contrações em 10 minutos. Achei que a neném fosse nascer nessa madrugada... a
minha outra doula e meu marido estavam comigo, fui para o chuveiro e lá fiquei
um tempão...sentia as contrações só aumentando a frequência e a dor aumentavam...mas
mal sabia eu que só estava começando. Quando saí do chuveiro quis descansar um
pouco, pois a parteira havia chegado e estavam preparando a banheira para mim,
só que quando deitei as contrações espaçaram... (mas não ficaram menos
dolorosas!) e eu acordava sempre que vinha uma contração...foi assim, e depois
disso as contrações vinham ficavam bem próximas, depois espaçavam. A banheira
aliviou muito a dor, mas foi minha “inimiga”, pois quando eu entrava nela as
contrações espaçavam muito mais, mas ao mesmo tempo com a dor intensa chegando
eu não queria sair da banheira. Quem em sã consciência iria querer sair do
lugar mais aconchegante quando se está com dor? Mas eu precisava. E quando eu
saía a dor era intensa... ![]() |
| Eu na banheira durante uma contração. |
Tentei muitas coisas durante esses dias, até uma
caminhada pelo bairro com o meu marido eu fiz, com direito a descer e subir de
escada parando a cada contração (que já estavam super dolorosas).
Já dia 06/04 pela madrugada as contrações espaçadas e
dolorosas, eu já nem lembrava porque estava sentindo dor, qual era o objetivo
daquilo e uma de minhas doulas me deu um ultimato, que eu precisava pegar o parto para
mim, ir até o fim, agachar, me mexer, colocar para fora, pois as minhas
vocalizações às vezes eram “para dentro” (você imagina fazer agachamento com
uma dor intensa? A maior dor que você já sentiu na sua vida?), que eu precisava
aceitar que iria morrer uma filha e nascer uma mãe. Aceitei o desafio...eu não
iria desistir, já tinha passado pelo toque por tanto tempo que já havia passado e não estava tão longe, mas as
contrações precisavam vir mais juntinhas e eu precisava dominar aquele parto. A
essa altura o meu marido que já estava exausto de tanto me ajudar, estava
sofrendo, com medo de que eu fosse para o hospital, com medo de que virasse uma
cesárea por exaustão...afinal faziam 3 dias que eu não dormia e não comia
direito. Com o bebê estava tudo bem, então continuamos...consegui dominar minhas
contrações me concentrando, fiz agachamento, sentava na banqueta de
parto...olhava para a banheira com tanta vontade de entrar lá, mas não
entrava...só que as contrações ainda não vieram tão juntinhas quanto precisavam
ser apesar de serem muito intensas e doloridas.
Por fim, senti que havia algo “segurando” o
parto (que provavelmente era a minha cabeça), mas uma das parteiras fez o toque
e como a minha bolsa ainda não havia rompido sugeriu rompê-la (pois o bebê já
estava bem baixo) ou ir para o hospital tentar uma ocitocina sintética, pois as
contrações estavam mesmo espaçadas e eu estava entrando em um cansaço muito
grande, não poderia durar mais um dia...o meu corpo já não aguentava mais.
Sempre amei a ideia de meu bebê nascer dentro da bolsa “empelicado”, porém
nesse momento eu tinha que tentar de tudo, pois eu queria parir aquele bebê e
iria parir na minha casa!! Então após conversar com o meu marido (que já estava
muito nervoso e triste, choroso e após isso foi descansar) e minhas doulas, aceitei o rompimento da
bolsa...o meu marido foi descansar porque também estava exausto... após o
rompimento, ainda demorou um pouco para as contrações ficarem mais próximas,
mas ficaram...fui pro chuveiro...a minha doula colocou mantras super poderosos,
e entrei em transe, estava na partolândia! Quando sai do chuveiro estava em
transe, a partolândia existe mesmo viu! As minhas duas doulas foram
fundamentais para mim nesse momento, foi um momento como se nós três fossemos
uma só, sentada na banqueta de parto recebi massagens intensas na lombar e na frente segurava
as mãos da outra doula em cada contração, que estavam cada vez mais próximas...
em um momento sugeriram que eu levantasse (eu pensei “levantar? Com essa dor?
Não aguento!”), mas levantei... e foi a melhor coisa que fiz pois logo sentia
muita vontade de empurrar, e empurrei em todas as contrações...logo senti o
“círculo de fogo”...não acreditava que eu estava sentindo a cabecinha da minha
neném ali depois de tudo aquilo... eu achava que nunca iria chegar a esse
ponto!
Comecei abraçada na minha doula a empurrar muito...todos me
parabenizavam... o meu marido ainda dormia. Logo sentei na banqueta novamente e
gritei “chama o André, pois ele que vai pegar o bebê!” eu já estava no
expulsivo. Chamaram o André (meu marido) e ele veio correndo, logo a cabeça saiu e o vi chorando...com
mais uma contração e um puxo senti o corpinho saindo...foi a sensação mais
maravilhosa que tive na vida! Gente, o expulsivo é demais... Quando ela nasceu
(não sabíamos que era ela ainda), o André foi o primeiro a pegar e deu nos meus
braços...foi maravilhoso, indescritível...olhar para
ela... e só depois de um tempo me tocar e olhar para descobrir que era Sofia!
Sim, é uma menininha! Acredito que até verbalizei “tudo valeu a pena...”. O que
é muito verdade! Valeu muito a pena, não me arrependo de nenhum segundo do
trabalho de parto e passaria de novo se precisasse para ter a minha neném da
melhor forma possível, de uma maneira respeitosa para a nossa família. Pessoas
maravilhosas me apoiaram para seguir até o fim e serei eternamente grata a elas!
Sofia nasceu às 8:49 do dia 06/04/15, com Apgar 9/10, 3310g e 50cm. Após isso, a Sofia logo mamou e meu períneo
precisou de uns pontos, pois tive lacerações de 1º grau. A placenta demorou um
pouquinho pra sair e era enorme! E segundo as parteiras a bolsa era “bem
grossa”.
Por fim, quando olhamos o rostinho daquele ser que sai de
dentro da gente, tudo vale a pena...TUDO! Hoje em dia aceito que esse foi o meu
processo... não foi perfeito dentro do que eu esperava, mas foi o que eu precisava
passar... e passei! Espero ter mais filhos e poder contar mais relatos de
parto.
Já o puerpério, esse é um outro relato mais longo e beeeem mais complexo rsrs. O parto é fácil comparado com o pós-parto gente! Sério...
"Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar..."
Se Eu Quiser Falar com Deus - Gilberto Gil



